Textos


 

Saudade, torvelinho edaz que vem, me esmaga,
A dolorosa saga, abutre que eu aninho,
Lacera mais que espinho e sangra mais que adaga,
Que me tritura e traga igual voraz moinho.

 

Nos meus lençóis de linho aumenta mais que praga
No instante que se apaga a luz e me avizinho
Do fim do meu caminho – o mal que se propaga
E que jamais me afaga ou faz-me algum carinho. 

 

A mó atroz, voraz, que meu viver fratura
E deixa, enfim, tristura e vincos no meu rosto,
As marcas do desgosto e de agonia pura.

 

A dor que não se cura, eterna, por suposto,
E deixa o ser exposto à mágoa, desventura,
Às margens da loucura ou sem prazeres, gosto.

 

Soneto escrito para uma trilha do Fórum do Soneto, com rimas internas

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 08/04/2023
Alterado em 16/04/2023
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