


CREPÚSCULO
É fim de tarde e o sol aos poucos cai, desmaia
nos braços do horizonte, até que tudo mude,
entregue sem pudor, em íntima atitude,
tingindo em tons pastel o espaço em sua raia.
Desmaia o sol, enfim, depois de um dia rude,
por entre os tantos véus de rendas e cambraia,
na sua extrema-unção até que a noite caia
e a lua se desvele em sua solitude.
O Rei, sereno, espera o despertar da aurora,
para jorrar a luz por esse mundo afora
e germinar os grãos dos campos de esperança.
Sejamos o horizonte, o sol, o grão e a lua
nos ciclos do viver, que o tempo perpetua:
quem sabe ser humilde imensa paz alcança.
Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles