


Desdém
Nas trilhas palmilhadas, tudo igual,
relembro, com ternura, o quanto rias
de mim, de ti, de nossas utopias,
das flores sobre a mesa e no quintal.
Tornou-se o teu querer, depois, banal,
findaram-se os encantos, fantasias,
as súplicas de amor, que me dizias
com teu olhar – translúcido cristal.
Tornei-me um passarinho, só, implume,
no ninho dessa angústia – fino gume -
suspensa no passado, em suas brenhas.
Sem asas, impotente permaneço
retida nessa trama desde o avesso
enquanto me desprezas, me desdenhas.
Edir Pina de Barros