Textos


Desdém

 

Nas trilhas palmilhadas, tudo igual,

relembro, com ternura, o quanto rias

de mim, de ti, de nossas utopias,

das flores sobre a mesa e no quintal.

 

Tornou-se o teu querer, depois, banal,

findaram-se os encantos, fantasias,

as súplicas de amor, que me dizias

com teu olhar – translúcido cristal.

 

Tornei-me um passarinho, só, implume,

no ninho dessa angústia – fino gume -

suspensa no passado, em suas brenhas.

 

Sem asas, impotente permaneço

retida nessa trama desde o avesso

enquanto me desprezas, me desdenhas.

 

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 01/11/2026
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