Textos


Desencanto

 

Ó, lua que me fita estática e formosa,

tu és feliz assim, em meio a véus e rendas

tecidas pelo tempo? Espero que me entendas

além do meu cantar em tanto verso e prosa.

 

Ó, lua que me fita e nívea, silenciosa

na noite que prossegue armando as suas tendas,

espero que jamais ao meu cantar te prendas

pois nada és além do sonho cor-de-rosa.

 

Não creias, não em mim – eu finjo ser poeta –

meu pensamento é livre e nada me completa,

jamais serei de alguém e muito menos tua.

 

Eu sou o desencanto em meio a tanto encanto,

versejo-te, porém, descreias do meu canto,

tu nunca me terás além do verso, ó, lua!

 

Edir Pina de Barros

 

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 25/08/2026
Alterado em 26/08/2026
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