


Desencanto
Ó, lua que me fita estática e formosa,
tu és feliz assim, em meio a véus e rendas
tecidas pelo tempo? Espero que me entendas
além do meu cantar em tanto verso e prosa.
Ó, lua que me fita e nívea, silenciosa
na noite que prossegue armando as suas tendas,
espero que jamais ao meu cantar te prendas
pois nada és além do sonho cor-de-rosa.
Não creias, não em mim – eu finjo ser poeta –
meu pensamento é livre e nada me completa,
jamais serei de alguém e muito menos tua.
Eu sou o desencanto em meio a tanto encanto,
versejo-te, porém, descreias do meu canto,
tu nunca me terás além do verso, ó, lua!
Edir Pina de Barros