


Iconoclasta
Andei amando muito e mais do que eu devia,
agora estou aqui, sem rumo, os olhos baços
e já nem sonho mais, desfiz os nós e laços,
tornei-me iconoclasta em meio à distopia.
Assim eu vivo agora, em forma de poesia,
meu ópio e meu prazer, detrás de finos traços
dos versos que ora faço e de tristeza escassos,
do que restou de mim, escritos à porfia.
Os versos que te fiz sequer os reconheço
porque deixei de amar-te e já nem sou aquela
inteiramente tua, inteira e desde o avesso.
E tu, amor antigo, e tu me reconheces
por trás dos versos meus? A que hoje se encastela
entre os vitrais do belo e das profícuas messes?
Edir Pina de Barros - Flor do Cerrado