Textos


Superação (alexandrino)

Uma garoa cai, extemporânea e fina,

em pleno estio cinza – e no final de agosto –

no meu cerrado seco, o ambiente descomposto,

e tudo fica alegre e tudo se ilumina.

 

Até o arbusto seco e triste na campina,

coberto de carvão – padecimento exposto –

acolhe o novo tempo, esquece a dor, desgosto,

em nome do porvir que, enfim, se descortina.

 

São bênçãos lá do céu, cedidas de bom grado,

a reciclar a vida e a germinar o grão

do fruto da esperança, a filha da quimera.

 

Que fiquem no passado as marcas do passado,

o estio já se finda – e nunca passa em vão –

pois tudo se enfloresce e o sonho, enfim, prospera.

 

Edir Pina de Barros

 

 

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 25/08/2026
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