


Uma garoa cai, extemporânea e fina,
em pleno estio cinza – e no final de agosto –
no meu cerrado seco, o ambiente descomposto,
e tudo fica alegre e tudo se ilumina.
Até o arbusto seco e triste na campina,
coberto de carvão – padecimento exposto –
acolhe o novo tempo, esquece a dor, desgosto,
em nome do porvir que, enfim, se descortina.
São bênçãos lá do céu, cedidas de bom grado,
a reciclar a vida e a germinar o grão
do fruto da esperança, a filha da quimera.
Que fiquem no passado as marcas do passado,
o estio já se finda – e nunca passa em vão –
pois tudo se enfloresce e o sonho, enfim, prospera.
Edir Pina de Barros