


Indiferença
Até os pedrouços que pisei, por certo,
a soluçar por ti – farrapo humano –
a ruminar a mágoa e o desengano,
sabem do amor sincero que te oferto.
Até as pedrinhas sob o céu aberto
ouviram, do lamento, o grito insano;
por tudo que passei, o imenso dano,
no chão do meu viver, que não deserto.
Até os penedos, rochas – te garanto –
ouviram os acordes de meu pranto,
soluços que me escapam com vigor.
Somente tu, indiferente a tudo,
pisando o teu caminho de veludo,
passaste sem ouvir o meu clamor.
Edir Pina de Barros