


Dissimulação
É triste ver-te assim, enfraquecido e exausto,
sem forças para rir da própria desventura,
com essa chaga aberta – o mal que não se cura –
vivendo por viver, em íntimo holocausto.
É triste ver-te assim, nesse caminho infausto,
chorando sem chorar a tua dor, tristura,
sempre a tecer os fios da mágoa que perdura,
fingindo ser feliz, no teu viver sem hausto.
Dói-me demais te ver dissimular o encanto
que hiberna em teu olhar – pressinto-o e não me espanto –
e se emurchece em vida, igual a flor na haste.
Machuca-me demais rever-te frágil e langue
a disfarçar a dor, que te envenena o sangue,
sem nunca confessar o quanto tu me amaste.
Edir Pina de Barros