Textos


Cíclico pulsar

 

A tarde morrerá no colo do horizonte

sem agonia, em paz, entregue ao seu fadário,

o cíclico pulsar, nem sempre bom, hilário,

mas segue, sem cessar, o caminhar insonte.

 

A tarde morrerá sem que ninguém afronte

seu cósmico poder no espaço planetário,

para vestir, além, o denso véu, sudário,

e renascer, depois, nos braços de Caronte.

 

A tarde morrerá sem lástimas, delongas

no róseo céu fugaz das horas tristes, longas

nas fendas do existir, nas rendas cor carmim.

 

A morte traz no ventre a força da semente

da vida, o vir a ser, pretérito e presente:

o infindo reciclar, o renascer do fim.

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 28/06/2026
Alterado em 04/07/2026
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