


Cíclico pulsar
A tarde morrerá no colo do horizonte
sem agonia, em paz, entregue ao seu fadário,
o cíclico pulsar, nem sempre bom, hilário,
mas segue, sem cessar, o caminhar insonte.
A tarde morrerá sem que ninguém afronte
seu cósmico poder no espaço planetário,
para vestir, além, o denso véu, sudário,
e renascer, depois, nos braços de Caronte.
A tarde morrerá sem lástimas, delongas
no róseo céu fugaz das horas tristes, longas
nas fendas do existir, nas rendas cor carmim.
A morte traz no ventre a força da semente
da vida, o vir a ser, pretérito e presente:
o infindo reciclar, o renascer do fim.