


Confidências
Por te trazer em mim moldei-me às tuas curvas,
entregue, sem pudor, na areia de teu leito,
segui contigo além do vale imenso e estreito,
venci os travessões, os poços de águas turvas.
E gosto quando assim, a murmurar, te encurvas
por me envolver, amor, adiante e sempre a eito
nos meandros do prazer, nos quais eu me deleito
e vivo essa paixão, nas praias e recurvas.
Por te querer demais aceito o teu destino
de, um dia, lá na foz, morrer no mar salino
enquanto sentirei saudade assaz profunda.
Hei de lembrar de ti na força das marés,
na beira-mar sem fim, a olhar de lés a lés,
por tudo o que tu és: poesia que me inunda.
Edir Pina de Barros