


Solidão
Um coração nublado e à beira da tormenta,
sem crer em mais ninguém, na humanidade inteira,
embora busque o amor, embora tanto queira
livrar-se do amargor, da mágoa tão sedenta.
Um coração nublado em solidão enfrenta
a humana indiferença, a vida que se esgueira
por entre os vãos do sonho, e a morte tão certeira
do solidário gesto e da empatia benta.
Mas mesmo sufocado ensaia dar um grito
que corte os corações e estruja no infinito
da pequenez humana, a fonte da miséria.
Contudo a voz se perde em meio ao mundo frio,
e deixa o ser entregue à dor e ao desvario
da solidão maior – a força deletéria.
Edir Pina de Barros