


DESTINO
Tenho-te nas saudades que hoje sinto
e invadem meus vazios, sempre cheios
das marcas de teus beijos, dos gorjeios
do amor, agora para sempre extinto.
Tenho-te em meu destino e, sim, pressinto,
nos vãos da solidão, dos meus anseios,
os teus olhares que, confesso, amei-os —
lilases, feito as flores de jacinto.
Tenho-te em mim e digo, sem delongas,
que estás presente em minhas noites longas,
pulsante em minhas veias, no meu sangue.
E por estares sempre em mim, desejo
odiar-te sem nenhum limite ou pejo,
mas eu estou aqui: vencida e langue.
EDIR PINA DE BARROS
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles