Textos


DESTINO

Tenho-te nas saudades que hoje sinto

e invadem meus vazios, sempre cheios

das marcas de teus beijos, dos gorjeios

do amor, agora para sempre extinto.

Tenho-te em meu destino e, sim, pressinto,

nos vãos da solidão, dos meus anseios,

os teus olhares que, confesso, amei-os —

lilases, feito as flores de jacinto.

Tenho-te em mim e digo, sem delongas,

que estás presente em minhas noites longas,

pulsante em minhas veias, no meu sangue.

E por estares sempre em mim, desejo

odiar-te sem nenhum limite ou pejo,

mas eu estou aqui: vencida e langue.

EDIR PINA DE BARROS

Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 06/05/2026
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