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INEXORABILIDADE

A mó que moi os grãos dos sonhos, da utopia,

transforma tudo em pó na sua infinda saga,

da polpa da ilusão extrai a essência e a traga,

as rendas da paixão, sem compaixão desfia.

A mó, que sem piedade, em nosso dia a dia,

tritura a fantasia, aumenta a nossa chaga,

imensa dor propaga e nunca nos afaga,

mastiga a nossa tez com tanta tirania.

Sagaz, atemporal, à vida se mistura,

e nada passa imune a tão voraz moedura,

por isso canto a paz e o amor que em mim detenho.

Transmudo o breu em luz, com versos o ilumino,

se um dia serei pó, aceito o meu destino:

somos apenas grãos nos dentes de um engenho.

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 16/04/2026
Alterado em 17/04/2026
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