


INEXORABILIDADE
A mó que moi os grãos dos sonhos, da utopia,
transforma tudo em pó na sua infinda saga,
da polpa da ilusão extrai a essência e a traga,
as rendas da paixão, sem compaixão desfia.
A mó, que sem piedade, em nosso dia a dia,
tritura a fantasia, aumenta a nossa chaga,
imensa dor propaga e nunca nos afaga,
mastiga a nossa tez com tanta tirania.
Sagaz, atemporal, à vida se mistura,
e nada passa imune a tão voraz moedura,
por isso canto a paz e o amor que em mim detenho.
Transmudo o breu em luz, com versos o ilumino,
se um dia serei pó, aceito o meu destino:
somos apenas grãos nos dentes de um engenho.
Edir Pina de Barros