Textos


Senescência

 

No espelho do viver, um tanto antigo e baço,
espio em meu semblante esvanecido e triste,
os vincos do desgosto, a lividez que insiste
em revelar ao mundo as marcas do cansaço.

 

No espelho do viver, também trincado, caço
um pouco de quem fui e aquilo que resiste
às lâminas do tempo, os gumes sempre em riste,
a me entalhar a tez, a me encurtar o passo.

 

Espreito novamente e vejo, por suposto,
nos traços outonais expostos em meu rosto
sinais do que vivi, que a pele inventaria. 

 

E em meio ao desencanto encontro o velho encanto
de versejar o amor, de haver amado tanto,
de estar pulsante em mim a  força da poesia.

 

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 12/04/2026
Alterado em 06/08/2026
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