


Senescência
No espelho do viver, um tanto antigo e baço,
espio em meu semblante esvanecido e triste,
os vincos do desgosto, a lividez que insiste
em revelar ao mundo as marcas do cansaço.
No espelho do viver, também trincado, caço
um pouco de quem fui e aquilo que resiste
às lâminas do tempo, os gumes sempre em riste,
a me entalhar a tez, a me encurtar o passo.
Espreito novamente e vejo, por suposto,
nos traços outonais expostos em meu rosto
sinais do que vivi, que a pele inventaria.
E em meio ao desencanto encontro o velho encanto
de versejar o amor, de haver amado tanto,
de estar pulsante em mim a força da poesia.
Edir Pina de Barros