


Súplica ao vento
O vento vai e vem e varre o vale inteiro,
prossegue sempre além, nos campos e campinas,
encrespa o rio, o lago, enverga as folhas finas
da relva, onde cai a palma do coqueiro;
o vento vai e vem e traz o doce cheiro
das frutas de pequi, com suas polpas finas,
balança, do cavalo, as suas longas crinas
e segue sempre adiante, alegre e tão faceiro.
Vento que vai e vem e volta sem delongas,
por que não vens a mim em minhas noites longas,
e as taças desse fel entorna enquanto trago-as?
Vento que tudo tange e tudo beija ao léu,
que arranca da paisagem o denso chale e véu,
extirpa de meu peito as minhas dores, mágoas.
Edir Pina de Barros