Textos


Súplica ao vento

 

O vento vai e vem e varre o vale inteiro,

prossegue sempre além, nos campos e campinas,

encrespa o rio, o lago, enverga as folhas finas

da relva, onde cai a palma do coqueiro;

 

o vento vai e vem e traz o doce cheiro

das frutas de pequi, com suas polpas finas,

balança, do cavalo, as suas longas crinas

e segue sempre adiante, alegre e tão faceiro.

 

Vento que vai e vem e volta sem delongas,

por que não vens a mim em minhas noites longas,

e as taças desse fel entorna enquanto trago-as?

 

Vento que tudo tange e tudo beija ao léu,

que arranca da paisagem o denso chale e véu,

extirpa de meu peito as minhas dores, mágoas.

 

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 03/04/2026
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