


Busca
Tendo a saudade por estrela guia,
nos véus do tempo busco por teu rosto,
que tanto amei outrora e, por suposto,
sempre amarei sem tréguas e à porfia.
Prossigo a procurar-te na poesia
que habita os vãos do sonho e, a contragosto,
eu não te encontro e, para o meu desgosto,
essa tristeza aumenta, dia a dia.
Quisera, sim, matar o meu desejo
de reencontrar-te. Há tempos não te vejo
e andejo assim, perdida a procurar-te.
Maldito amor! Tornou-me um trapo humano
- a imagem mais atroz do desengano -
que fez da minha vida um mundo à parte.
Edir Pina de Barros
Academia Brasileira de Sonetistas (Abrasso)
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles