


Amar, verbo transitivo
O dia está cinzento e a chuva na vidraça
escorre sem cessar enquanto estou silente,
o pensamento vaga e tudo em mim pressente
o fim do nosso amor que, aos poucos, se estilhaça.
O dia está cinzento e a chuva nunca passa
nem passa a minha dor por mais que pense e tente
reconhecer que o fim se faz também presente
desde o começo, igual fuligem na fumaça.
Amar é sempre um risco, é verbo transitivo,
por mais que seja dom vital e substantivo,
é muito delicado em cada um de nós.
Porém, na humanidade, o amor jamais se finda,
renasce aqui e ali, plural, maior ainda,
qual rio que além recebe o outro em sua foz.
Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecília Meireles
Academia Brasileira de Sonetistas (Abrasso)