Textos


Reflexões sobre o desencanto

 

Se um dia se findar o encanto que sustém

o olhar que vê além da mágoa que apequena

o amor, que sai de cena, ou morre igual falena

na luz fatal e plena, em dor, que a faz refém.

 

Se um dia se findar o dom de amar, também,

do jeito que convém, que a todos asserena,

que a vida nos acena e exige, sem ter pena,

e que ninguém condena ou trata com desdém.

 

O que seria, enfim, viver sem ter afeto?

De mágoa ser repleto e, do ódio, um arquiteto,

um pobre ser abjeto e a tudo põe um fim.

 

Que se cultive, sim, nos campos da ternura,

o bem querer que cura a mais profunda agrura,

sem medo, sem censura e sem morrer de esplim.

 

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 05/01/2026
Alterado em 05/01/2026
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