


Sou beija-flor
Já fui condor, agora eu sou um beija-flor
que busca nos vergéis, a secreção mais pura
das glândulas da flor, que a luz solar depura
e que, na natureza, eu tenho a meu dispor.
Em outros tempos, sim, eu fui voraz condor,
planei além do mar, da serra que o emoldura,
nos píncaros vivi, nos cumes da ventura,
porém não fui feliz, andei de dor em dor.
Enfim, podes me ver, aonde quer que fores,
eu pressagio o amor e a paz a toda gente,
não sou mais caçador, me transformei, portanto.
Não tenho mais poder, gadanhos predadores,
sou polinizador, pequeno e iridescente,
encanto o teu olhar no mundo em desencanto.
Edir Pina de Barros