


Se acaso
Se acaso se acabar o sonho que alimenta
a força desse amor, a rosa do desejo...
apenas existir carícias a varejo
e tudo que hoje é bom tornar-se uma tormenta;
se acaso se acabar a paz que nos sustenta,
a vida se tornar um quarto de despejo,
a fonte, enfim, secar, calar seu rumorejo,
restar somente a dor, voraz e tão sedenta;
se acaso se findar o mais profundo afeto,
que um dia nos uniu de um modo tão completo,
ele renascerá nos campos da poesia.
Eu sempre cantarei em cada prosa e verso
o grande bem que tive, o dom incontroverso:
se mais pudesse amar, confesso que amaria.
Edir Pina de Barros