


Semeadura
Semente que germina e rasga a terra dura
do solo calcinado e logo cresce e viça,
na força do existir, indócil, insubmissa,
para enflorar, além das raias da clausura.
A flor que vem do grão e a vida transfigura,
com sua formosura, encanto que derriça
a angústia de viver de forma tão mortiça,
à beira de um abismo, à beira da loucura.
A pequenina flor que exala o seu perfume,
volátil e tão sutil, que um ciclo, em si, resume,
é filha dessa dor de se esgarçar a terra.
Tenhamos nós, também, a força da semente
para espalhar o bem no mundo tão plangente
com toda graça e luz que esse poder encerra.
Edir Pina de Barros
Cadeira n.6 – Cecília Meireles
