Textos


Insônia


Não consigo dormir. Como demora
Essa vigília que me torna lassa!
Se abro um livro, não leio. E lá fora
Chove. Há passos na rua… E a ronda passa…


(Que insônia, Coryna Ferreira Rebuá, Rio de Janeiro, 1900 -?)

 


Insônia! E chove tanto! A chuva é fria,
soluça o vento nesta noite escura,
parece até que sente dor sem cura,
ou que morreu o amor que sempre cria.

Insônia! Noite longa de agonia,
que os sonhos, um a um, desfaz, fratura,
coriscos riscam céu com tal fartura
que o medo a mim se impõe e me arrepia.

E tu? Será que dormes calmamente?
Ou tu te sentes, como a gente sente
e, insone, vês a luz dos relampejos?

Interminável angústia me devassa,
a chuva bate forte na vidraça
e canta, igual antigos realejos.

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 17/09/2025
Alterado em 07/11/2025
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