


Insônia
Não consigo dormir. Como demora
Essa vigília que me torna lassa!
Se abro um livro, não leio. E lá fora
Chove. Há passos na rua… E a ronda passa…
(Que insônia, Coryna Ferreira Rebuá, Rio de Janeiro, 1900 -?)
Insônia! E chove tanto! A chuva é fria,
soluça o vento nesta noite escura,
parece até que sente dor sem cura,
ou que morreu o amor que sempre cria.
Insônia! Noite longa de agonia,
que os sonhos, um a um, desfaz, fratura,
coriscos riscam céu com tal fartura
que o medo a mim se impõe e me arrepia.
E tu? Será que dormes calmamente?
Ou tu te sentes, como a gente sente
e, insone, vês a luz dos relampejos?
Interminável angústia me devassa,
a chuva bate forte na vidraça
e canta, igual antigos realejos.