Textos


Dádiva

 

O corpo de quem ama é rio fluente

que, sôfrego, desliza sobre o leito,

amor que se apresenta liquefeito

entregue, sem ter pejos, ao que sente.

 

O corpo de quem ama é plena enchente

que rompe diques e canais, e a eito,

procura no alto mar, sem preconceito,

as vagas do prazer incontinente.

 

Cardumes de volúpia, em piracema,

desovam no aguapé, que deita flores

lilases sobre a pele d’água morna.

 

O corpo, assim, é dádiva suprema

um templo com vitrais multicolores:

é vida que se dá e a si retorna.

 

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 16/08/2025
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