Textos


Vozes ancestrais
 
Compreender, de fato, os sons externos,
que chegam, tão confusos, aos ouvidos,
exige, sim, buscar nos tempos idos,
as fontes dos conflitos, os modernos.
 
Memória registrou, nos seus cadernos,
com sangue, que escorreu dos desvalidos,
mas que lutaram firmes, destemidos,
as crônicas dos povos subalternos.
 
Escuta, que o silêncio alto fala
das coisas,  que no colo, o tempo embala,
e está em tantos mitos e locais.
 
As vozes ancestrais, portanto, escuta,
atento às mil raízes da disputa
fincadas  desde os tempos coloniais.

Lira insana, pg. 22
 

 
Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 01/09/2020
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Comentários
Miguel Carqueija
Querida amiga, é certo que nesses últimos milênios os povos, diria melhor os governos mais poderosos sempre espoliaram e esmagaram os mais fracos. Os índios então foram grandes vítimas nos últimos séculos. Seu soneto é notável, as vozes ancestrais precisam ser ouvidas pelas nossas consciências. Convido ler minha trova "Reino perdido: os índios" (18/4/2017). Beijos. recantodasletras.com.br/trovas/5974477
Conta cancelada
Que lindo soneto, Edir. Tive a felicidade de com ele esbarrar nesse meu passeio recantista... a introspecção está elevadíssima nessa bela passagem literária. Avante e força, grande sonetista! Muita paz.