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Eu vejo um rio nos teus olhos baços

Eu vejo um rio nos teus olhos baços

Eu vejo um rio nos teus olhos baços,
que verte, desde a alma, até o rosto,
enquanto o teu sorriso diz o oposto,
a renegar as dores e cansaços.
 
Escapam, pelos teus olhares lassos,
centenas de cardumes de desgosto,
do teu penar, que fica a mim exposto,
por trás do teu orgulho e finos traços.
 
Um rio que murmura e cujas águas
submersas desde a fonte –  não deságuas
para manter a falsa paz na face.

 

Permite que ele escave o teu semblante,
que lave as mágoas, flua e siga adiante
para que, a própria vida não se embace.
 
Brasília, 25  de Novembro de 2016

Caixa de Pandora, pg. 30

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 25/11/2016
Alterado em 29/05/2026
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