Textos


Brisa
Edir Pina de Barros

Eu não sou ilha ainda que assim queiras
também não sou teu mar, nem continente
porque sou brisa – passo de repente –
não tenho bordas, não, nem mesmo beiras.

Quando me queres nunca estou presente,
porque na brisa não se põe coleiras,
nem peias, nem correntes, nem fronteiras,
mas sempre estou contigo, mesmo ausente.

Eu sou apenas uma vã quimera
estou ausente quando mais se espera
e nada me retém, nem os penedos.

Ah! Meu amado! Não se prende brisa
porque é incorpórea, fluida, sem divisa
e escapa sempre pelos vãos dos dedos.


Lira insana, 2016: pg. 37
Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 28/03/2016
Alterado em 20/10/2016
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários